terça-feira, 3 de julho de 2007

Com que roupa eu vou???

Ok, você acaba de ser chamada para uma festa junina em Itaipava.
Antes de aceitar e subir a serra de saia quadriculada, informe-se.
Tem festa junina de tudo quanto é tipo, principalmente nos redutos serranos das metrópoles onde o povo tende a não ter mais o que fazer e se joga num quentão a noite inteira.

COM QUE ROUPA EU VOU?
Primeiramente há que se informar se existe mesmo a necessidade de ir à caráter. SE for uma festa daquelas temáticas criadas por uma pessoa louca que vai rezar uma missa por casal de dentes pretos, você está em situação perigosa.
Nada de ir pra casa Turuna ou pior, pras Americanas comprar uma peça padrão para desembarcar no arraia. Abra seus baús, a parte de cima do seu armário e tire de lá aquelas peças que você não dá, não vende , mas não se desfaz. Tá vendo? Você acaba de descobrir por que elas estão lá alimentando as traças, pra serem usadas na hora da festa junina.
Sobreponha várias peças, começando da mais comprida até a mais curta. Estampas variadas, não faz mal. Saia de festa junina é assim mesmo. As coisas não combinam e essa é a graça, além do mais lá na serra faz um frio desgraçado e as saias sobrepostas são um bom truque que você pode temperar à medida que se aproxima da fogueira.
Se tiver botas ótimo, se forem as botas brancas que ensinei no primeiro dia de aula a não usar nunca, pode lançar mão das malditas que nesse caso cairão como uma luva. Meia calça entre uma coisa e outra. Se for colorida, quadriculada, pode ousar.
Na parte de cima da veste use a mesma tática, com atenção para os botões que devem ser fechados até o pescoço. Uma vez abotoados, arremate com um bom laçarote ou um cachecol.

CABELO
Não tem discussão. Festa junina requer maria chiquinha ou trancinha e ponto final. Você resolveu ser moderninha e repicou o cabelo ou está joãozinho? Decline o convite, porque as outras caipiras vão te deixar insegura, fique na Cidade e vá a uma boa exposição de arte contemporânea ou coisa parecida.
Maria chiquinha, uma de cada lado e trancinhas idem. Arremate cada uma com laços de fitas coloridos.
Sobre a cabeça pode levar um chapeau de palha, desfiado nas pontas, colocado de ladinho. Insira uma bela fita de cetim nas abas e amarre debaixo do queixo. Fica uma uva.

MAKE
Ou maquilagem para as antigas. Uma sombra de cor forte, um azulão, verde garrafa, laranja. Muita máscara nos cílios (ou rímel para as antigas). Muito blush (ou rouge para as antigas). O batom é vermelho e não se discute.
Depois do make resolvido, pegue um bom lápis de sobrancelha marrom e distribua simetricamente pintas nas duas bochechas.

COMENDO E BEBENDO
Você sabe que nas festas juninas as barraquinhas ficam ali te chamando pra se encher de milho verde cozido, batata doce na brasa, pamonha quentinha, cocada mole, cocada dura, pé de moleque. As outras barraquinhas concorrentes te oferecem quentão, quentão e quentão que você vai tomando e misturando com aquela batata doce, a pamonha.
Menina quando você menos espera a mistura faz efeito e se você der o azar de estar pulando a figueira corre o risco de ser ejetada até o espaço sideral. Duvida?
O aquecimento global está aí para nos ensinar que não só os carros soltam gases perigosos, mas também intestinos devidamente abastecidos com o combustível errado.
Festas juninas são a terceira maior razão para o aquecimento global.
Além da coisa da consciência ecológica, evite a mistura porque a gente sabe que a coisa é inflamável e você pode explodir ao lado da fogueira e ainda levar muita gente inocente com você. Cuidado.

Finalizando este bate-papo caipira, fuja do convite pra ser a noiva, cuidado com o xerife da cidade que faz aquela brincadeira babaca que pode te deixar presa a festa todinha enquanto seu bofe fica à solta recebendo correio-elegante e nada de dar uma de engraçadinha e ir de terno e gravata, com bigode e dente preto. Fica feio, acredite.

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